25 março 2007

diz o El Pais:

"A Exortação Sacramentum Caritatis ajusta-se ao espírito programático do pontificado. O Papa considera que décadas de relaxamento católico permitiram a promulgação de leis "socialmente corrosivas", e exige um cerrar fileiras. Quer ele que a Igreja não se definem pelo número de fiéis mais ou menos teóricos, mas pela qualidade, consciencialização e activismo dos mesmos. Para ele, o catolicismo deve reflectir-se da mesma forma no silêncio da reflexão prévia à eucaristia e no fragor dos debates públicos. O termo "inegociável", aplicado a questões como o aborto, a eutanásia, o divórcio, as uniões homossexuais ou o ensino católico, resulta significativo. O cerrar fileiras vem junto com um certo retorno a valores pré conciliares, como a missa em latim e o canto gregoriano, preferíveis, segundo a Exortação, às missas em língua local e aos acompanhamentos musicais mais ou menos modernos. A lembrança de que os católicos divorciados e casados de novo não podem receber a comunhão, e que devem esforçar-se para compensar sua situação irregular com "penitências e obras de caridade", complementa um quadro ao mesmo tempo retrógrado e, em um sentido político, "revolucionário". (El País, Madrid, 14-03-2007 artigo de Enric González, correspondente em Roma).

14 março 2007

diz um modernista:

O documento Sacramentum Caritatis não é outra coisa senão o definitivo selo papal à Restauração. O Sumo Pontífice – Bento XVI – reafirmou que “os políticos e legisladores católicos” não devem votar leis contrárias à “natureza humana”. Isto é o fim do Concílio Vaticano II.


E foi assim que no ano da graça de 2007 foi colocada a pedra tumular sobre o Concílio Vaticano II, para cujo sepultamento há anos já se havia cavado a fossa. A Exortação pós Sinodal Sacramentum Caritatis, publicada hoje, não é senão o selo definitivo de Bento XVI à grande Restauração.

Um processo iniciado sob o pontificado wojtyliano, votando ao degredo, através da Missa, todas as opções progressistas internas do catolicismo (e a contemporânea benevolência para com as alas extremistas a começar pelos lefrebvistas), o crescimento excessivo de realidades “laicas” mais integristas de boa parte do clero (desde Comunhão e Libertação até a tentacular Opus Dei), em constante sufocamento das instâncias teologicamente mais avançadas, desde os padres mais corajosos, das batalhas sociais da África e na América Latina, da colegialidade episcopal. E a lista poderia continuar até o infinito.

O Papa João abriu a janela da Igreja, para “fazer entrar — ele mesmo o disse — "o ar fresco do mundo”. Seu sucessor alemão volta a fechá-la, sem hipocrisias e sem nem mesmo derramar sequer uma lágrima pela herança conciliar dissipada e pisoteada. Depois de pouco mais de 40 anos do fechamento do Concílio, podem se contradizer abertamente as constituições dogmáticas (e sublinhamos dogmáticas) de um Concílio Ecumênico, presidido por um Papa e composto por todos os Bispos do mundo? Isso se perguntam os que se têm como verdadeiros católicos, os que estão convencidos que o caminho para a situação atual só pode ter sido tomada desde os primeiríssimos anos 80, quando o mesmo Ratzinger foi chamado ao Santo Ofício. De fato, o Concílio aprovara a distinção entre o plano espiritual e o plano político temporal. “A comunidade política e a Igreja – estabelecia a Gaudium et Spes – são independentes e autônomas uma da outra em seu próprio campo”. Hoje, em vez, a ingerência é a norma.

O Papa se lança na Sacramentum Caritatis contra os Dico [os gays], reafirmando que "políticos e legisladores católicos conscientes de sua grave responsabilidade social" não devem votar leis que vão contra "a natureza humana". Um verdadeiro e próprio diktat universal (uma exortação pós sinodal tem natureza magisterial, e é obrigatória para todos os católicos). A Igreja se arroga o direito de estabelecer os programas políticos dos governos presentes e futuros, despojando os deputados católicos de todo vínculo com relação a seus eleitores, e em definitivo da comunidade política que os escolheu, e de fato manipulando-os em nome não do bem comum e da salvaguarda da pessoa, mas por motivo de (presumidas) verdades de fé. Os desventurados parlamentares católicos, ordena Ratzinger, devem "dar público testemunho da própria fé" na defesa da família, do matrimônio, em suma, da vida, em todos os “valores fundamentais ".

É o fim do sonho de tentar conciliar o catolicismo com os direitos individuais dos cidadãos, com a liberdade de consciência, com a autonomia da esfera política. Aqueles direitos confirmados (ou assim se esperava) por João XXIII na Pacem in Terris: "Em uma convivência ordenada e fecunda - escrevia Roncalli em 1963 – deve ser posto com fundamento o princípio que todo ser humano é pessoa, isto é, uma natureza dotada de inteligência e de vontade livre; e, portanto, é um sujeito de direitos e de deveres que brotam imediatamente e simultaneamente da sua própria natureza: direitos e deveres que são, por isso mesmo, universais, invioláveis, inalienáveis". Hoje, em vez, é colocado um verdadeiro e próprio ultimatum ao político católico: "Os valores fundamentais como o respeito e a defesa da vida humana" tem "um nexo objetivo com a Eucaristia". Traduzindo: se vocês votarem leis "erradas" não pensem mais em comungar. Um diktat gravíssimo, com o único precedente da excomunhão dos comunistas em 1949, em plena guerra fria, e, entretanto, muito freqüentemente ignorada. E depois, exatamente, não tinha ainda ocorrido o Concílio que estabeleceu a distinção entre erro e errante, definição caridosa de Roncalli que permitia manter firmes algumas convicções doutrinárias da Igreja sem por isso marginalizar os “pecadores”.

Uma bela lápide também sobre isso: os divorciados recasados, por exemplo, adverte Ratzinger, são um problema espinhoso, antes certamente uma "verdadeira chaga da atual contexto social", e não podem absolutamente ser admitidos aos sacramentos.

O Papa focaliza também sobre o problema da castidade dos padres, come é bem conhecido uma condição não dogmática mas apenas histórica, revista por todas as confissões cristãs exceto a católica: o celibato "é uma riqueza inestimável". E vacila também talvez a mais conhecida constituição conciliar: a da liturgia. Bento XVI deseja um retorno ao latim e ao canto gregoriano, desde sempre armas ideológicas dos nostálgicos de uma Igreja monárquica e tridentina. "Pois bem - escreve, referindo-se sobretudo aos grandes encontros internacionais - que tais celebrações sejam em língua latina; assim também sejam recitadas em latim as rações mais conhecidas pela tradição da Igreja e eventualmente executados trechos em canto gregoriano". E ainda, o convite a preservar o domingo, e aquele ainda da salvaguarda do papel da mulher. Um papel, bem entendido, que a enquadre rigorosamente em "seu ser próprio de esposa e de mãe".

Em suma, um verdadeiro e próprio manifesto contra reformista, alguma coisa similar á encíclica "Quanta Cura" de 1864, assinada por Pio IX. Frente a um mundo político tremente e incerto (e se era lícito esperar isso do centro direita, porém causa desagrado notar a mesma fraqueza estrutural no centro esquerda) a Igreja volta a ditar normas e comportamentos. Enterra com o Concilio, a grande tradição do catolicismo liberal, de Gioberti a Rosmini, de Manzoni a De Gasperi que se opôs à Operação Sturzo projetada por Pio XII. Objetivamente quebra a política italiana, constrangida a dilacerar-se sobre questões que em toda a Europa foram enfrentadas e largamente superadas (freqüentemente, como na França, por ações de governos de direita), e a fazer as contas entre quem é mais católico e que o é menos (e para quando se voltará a usar o termo "infiel"?).

Um documento, esta "Sacramentum caritatis", que não tem nada de caridosa, um documento gravíssimo, nos limites do crime. Chantagear um Deputado regularmente eleito, foi dito já, é contra a Constituição. É verdade. Mas, em nossa opinião, é muito mais grave o total deslocamento da Igreja para a direita, que assim se auto condena ao isolamento, se fecha na defesa da Verdade, e, numa época de confronto de civilizações oferece de si mesma uma imagem especular à do mundo islâmico. Não é por acaso que Ratzinger, há poucos meses atrás chegou a indicar, como exemplo a espiritualidade e a luta contra o relativismo vigentes em países maometanos.Os ferozes dardos que o Osservatore Romano lançou às manifestações gays têm as cores foscas da intolerância e do obscurantismo, e quem estava ali no sábado à tarde não esquecerá que a poucos metros, no Campo de Fiori, tinham brilhado os tenebrosos fulgores da fogueira para queimar Giordano Bruno. Agrada-nos, para não estragar o dia de muitos leitores, concluir usando as palavars do já citado Papa João, com a esperança que a Igreja volte a fazê-las suas: "Nada de condenações doutrinárias — disse falando do Concílio — hoje a Igreja prefere antes demonstrar a validade das suas doutrinas e fazer uso da medicina da graça".


Paolo Giorgi, APRILE Info On Line - "A grande intervenção"
MONTFORT Associação Cultural
http://www.montfort.org.br/index.php?secao=veritas&subsecao=igreja&artigo=grande_intervencao〈=bra
Online, 14/03/2007 às 20:38h

comentários

"A recomendação de rezar em latim e entoar canto gregoriano «faz sentido». Até podia ser em aramaico (a língua de Jesus). É uma transmissão do passado, o ritual faz parte da vida humana" by Peter Stilwell, padre católico (?).
"continua a restringir a possibilidade de celebrar aos celibatários; deixará de haver quem reparta o pão eucaristico
" by Frei Bento Domingos, frade católico (?).
Todas estas frases demonstram como certos católicos que rezam "creio na Igreja" não o são na verdade e mentem ao rezar o Credo...

01 março 2007

Tridentino

O Instituto Bom Pastor, órgão criado pelo papa Bento 16 com sede na Arquidiocese de Bordeaux, na França, tenta recuperar a tradição da Igreja Católica ao criar um órgão que pretende restituir a chamada missa tridentina --rito tradicional que é celebrado em latim.

O decreto de criação do instituto é de 6 de setembro deste ano, e permitirá que padres de todo o mundo não sejam mais subordinados ao Concílio Vaticano 2º, concluído pelo papa Paulo 6º (1963-1978), que instituiu o uso das chamadas línguas vulgares na liturgia católica.

A medida visava facilitar a compreensão dos ritos por parte dos fiéis.

A missa tridentina, também é conhecida como missa de Pio 5º (1566-1572), foi celebrada durante mais de 15 séculos. No entanto, o decreto papal não pretende excluir, a princípio, as missas nas línguas locais.

Como a América Latina tem as duas maiores comunidades católicas do mundo (Brasil e México), a igreja enviou o padre Rafael Navas Ortiz do Chile ao Brasil para discutir a instalação do instituto com lideranças católicas de São Paulo e, também, com fiéis simpatizantes à idéia.

Navas foi escolhido pelo padre Philippe Laguérie --superior geral do Bom Pastor nomeado pelo Vaticano-- para ser o superior distrital do instituto na América Latina.

Navas foi ordenado em 1984 pelo monsenhor Michel Lefebvre, cuja notoriedade se deve à insubordinação ao Concílio Vaticano 2º e que, em 1988, foi excomungado pelo papa João Paulo 2º ao ordenar quatro bispos sem sua autorização.

Em entrevista exclusiva à Folha Online, Navas discorreu sobre as razões do papa Bento 16 ao recuperar essa antiga tradição católica. Leia a íntegra da entrevista:

Folha Online - A Reforma Protestante se baseou, entre outros princípios, na tradução dos textos bíblicos para as chamadas línguas vulgares, pois seus idealistas consideravam os ritos católicos herméticos e inacessíveis ao povo. Ao restituir a missa em latim, a Igreja Católica não estaria afastando ainda mais os seus fiéis?

Padre Navas- Afastá-los mais é um pouco difícil, porque já estão bastante afastados. Ao mesmo tempo em que ocorria a Reforma Protestante, igual número pessoas se vinculavam à igreja, na América Latina, e não sabiam nem sequer o castelhano, como os indígenas, que massivamente, na mesma época, convertiam-se com esta missa. O latim dá garantia de identidade com o passar do tempo. As línguas vivas vão mudando. O latim não. No entanto, sempre existiram dentro da igreja os missários com a tradução para quem queria compreender a parte material. Mas o fundo do mistério da missa é incompreensível racionalmente. Por isso estava em presença nossa fé. Foi esta fé que os indígenas intuíram, compreenderam e aceitaram, e explicaram os grandes doutores da igreja. É esta fé que hoje falta ao mundo, que a compreensão material fez perder o sentido sobrenatural, espiritual, transcendente, que é o verdadeiro vínculo com Deus. Quando se tem uma visão puramente horizontal, pois se pode compreender todo o idioma, mas não se compreende o essencial. Daí deriva essa separação dos fiéis, que o próprio papa João Paulo 2º chamara de apostasia [afastamento dos caminhos de Deus] silenciosa. Um abandono da fé sem ruído, que leva a igreja a essas estatísticas de participação verdadeira dos fiéis nos últimos séculos. O latim dá garantia e identidade.

Folha Online - Então essa iniciativa do papa é de buscar uma aproximação de Deus com os homens mais pela via espiritual e menos pela racional?

Padre Navas - Sim, mas de uma maneira que a via racional seja iluminada pela via espiritual. Não se renuncia à razão, nunca. Ela deve ser iluminada pela luz sobrenatural da fé. Um reconhecimento da autoridade divina. O papa percebeu isso. O que está se perdendo no mundo é a necessidade do sagrado.

Folha Online - Afirma-se que o avanço das igrejas evangélicas se deve ao fato de elas estarem mais próximas das expectativas que as pessoas têm sobre Deus atualmente. Essa iniciativa da Igreja Católica tem como intenção conter esse avanço?

Padre Navas - As igrejas evangélicas avançam na medida em que a Igreja Católica retrocede. Não apenas em número de fiéis, mas também em número de igrejas, com subdivisões permanentes. Porque não têm unidade de fé. O papa quer restabelecer essa unidade de culto e corrigir todos os abusos. Por isso mesmo nos chamou. Para que nessa unidade de culto, manifeste-se essa unidade de fé, que não têm os protestantes, pois crêem no querem crer. Sua autoridade são eles mesmos. A preocupação do papa é a unidade da igreja em torno da fé. A criação do Instituto Bom Pastor é apenas um passo. O próximo passo será certamente a liberação de todos os sacerdotes que queiram celebrar o rito tradicional.

Folha Online - O papa considera, então, que, na medida em que a igreja se adaptou aos avanços tecnológicos, culturais e sociais do mundo nestes últimos 40 anos, ela retrocedeu, ao invés de igualmente avançar?

Padre Navas - O papa encontra, neste momento, circunstâncias próprias para continuar ensinando a doutrina. Dizia-se que o século 21 seria a civilização do amor e, no entanto, é de conhecimento público que este é o século do terrorismo. Estamos diante de um desafio, que é o paganismo reinante no mundo, da descrença cultural acelerada, que tem como conseqüência a apostasia silenciosa, como disse o papa João Paulo 2º.

Folha Online - As igrejas teriam liturgias mistas, com a missa em latim e, no caso do Brasil, em português, ou isso será um processo gradativo até a total implantação da missa tridentina?

Padre Navas - São duas coisas distintas. Uma é a liberdade que todo sacerdote terá de celebrar o rito dos últimos anos, e outra coisa é o que o papa chamou de "a reforma da reforma". Como ficará, em termos práticos? Não sabemos ainda. O que sei é que o Instituto Bom Pastor tem como rito próprio e exclusivo o rito tradicional da igreja. Quer dizer que não será permitido a um sacerdote do instituto celebrar a missa nova, de Paulo 6º. Isso, obviamente, não impede que, em determinado momento, o papa dê ordens para que se vá impedindo os abusos que se vêem por aí, em que há padres que fazem sua própria liturgia, criando, modificando a seu bel prazer.

Folha Online - E outras cerimônias, como casamentos e batizados? Também seriam feitos em latim?

Padre Navas - Sim, porque é um seguimento da via paroquial. O Instituto Bom Pastor tem como objetivo criar paróquias personalizadas no ritual tradicional.

Folha Online - E o ensino religioso?

Padre Navas - Permaneceria como sempre foi. Orientar a inteligência pela fé.

Folha Online- Porque o latim é a língua própria do catolicismo, sendo que filmes como "A Paixão de Cristo", por exemplo, mostraram que Jesus falava aramaico?

Padre Navas - A língua da igreja se estabelece com sede em Roma, e latim era a língua do Império Romano, o que permitiu a expansão da igreja por todos os domínios romanos. Ela serve como veículo de identidade da fé. Se você vir escrituras do século 5º, do século 17, do século 19 e de hoje, é sempre a mesma expressão. Faz com que não haja essa mudança que há, por exemplo, nas obras de Santa Teresa em castelhano antigo, que hoje, traduzidas, não se entende. O próprio decreto do Instituto Bom Pastor é em latim, com uma tradução para o francês. Mas há, na missa tridentina, passagens em hebraico e, também, em grego.

Folha Online - Há um outro aspecto da missa tridentina, que determina que o padre esteja de costas para os fiéis...

Padre Navas - Eu preferia dizer que é de frente para Deus. O padre conduz uma procissão de frente para Deus. Muitos historiadores --e os liturgistas concordam-- que a missa sempre se celebrou com o altar oriental. Em todas as catedrais medievais o altar central está voltado para o oriente. Há uma explicação pedagógica. No oriente nasce o sol. Dele vem a luz, e Cristo é a luz do mundo.

Folha Online - O papa considera que o Concílio Vaticano 2º foi um equívoco?

Padre Navas - O papa considera que, naquele momento, ele foi feito com uma intenção pastoral. Mas ele sustenta que o objetivo do Instituto Bom Pastor é fazer uma crítica construtiva dos ensinamentos doutrinais daquele Concílio, para que a igreja manifeste uma interpretação autêntica.

Folha Online - A igreja se afastou do povo ou o povo se afastou da igreja?

Padre Navas - A igreja tem como missão sempre conduzir o povo. Agora, se os homens da igreja renunciam à condução do povo, cria-se um vazio. E é forçoso reconhecer, muito lamentavelmente, que esse vazio que se criou foi preenchido pelas seitas, especialmente na América Latina. É necessário que a igreja retome sua ação pastoral e doutrinária.

Folha Online - Qual a outra importância da América Latina para a Igreja Católica, além do número de fiéis que possui?

Padre Navas - Todos os países são importantes para a Igreja Católica, mas na América Latina se encontram mais recursos humanos e uma cultura que não foi tão deformada quanto a européia e a norte-americana. Há mais elementos da cultura católica, que nos dão mais recursos humanos para a conquista do mundo. A Igreja Católica não renuncia à conquista do mundo para Deus, que é sua missão.

JAMES CIMINO da Folha Online a 17/11/2006

10 fevereiro 2007

L'espresso

Riccardo Bocca foi a 24 igrejas de cinco grandes cidades italianas e confessou pecados que não cometeu. A verdade é que este Riccardo é repórter de uma revista italiana e foi ouvir os sacerdotes para publicar tudo em seguida.
Num confessionário disse que tinha SIDA e queria saber se devia ou não usar preservativo. O sacerdote disse que era uma "questão muito pessoal de consciência" - isto quando a Igreja recomenda a abstinência ou a monogamia, para evitar a transmissão da doença.
Acerca da homossexualidade, um padre disse que "é uma tendência que constitui uma expressão humana válida. Existem até padres homossexuais e freiras lésbicas."
Outro padre disse que a eutanásia não era motivo para preocupações pois era de Deus a última palavra, e não do homem.
E coisas assim... rezemos.

Bento XVI é bom

Sua Santidade pensa o que eu penso. Os religiosos perderam a sua identidade e carisma original com as reformas pós-Vaticano II e com a secularização...
Existe um grande crescimento de comunidades dispostas a viver a Regra comunitária anterior ao Concílio. Isto não deixa indiferente o nosso querido Papa e a "reforma espiritual" vai mesmo começar por aqui.
Significa isto que as congregações devem recuperar o que de bom perderam.
A estagnação chegou a dezenas de comunidades, por terem abandonado o original do fundador.
O mundo de hoje não é espiritual, mas deseja o espiritual. Daí haverem centenas de pessoas a assistirem ao documentário dos monges da Cartuxa, gravado em França; ou haverem outras dezenas a passar um determinado tempo em conventos.

30 janeiro 2007

Missa moderna

No Calvário, os que tiveram uma participação dinâmica foram os que crucificaram e escarneceram Cristo. A Missa é a renovação do sacrifício do Calvário, e portanto deve ser realizada com solenidade e gravidade...

24 janeiro 2007

Igreja novamente separada

É isto que vai acontecer. A Igreja vai voltar a dividir-se e a separar de Roma.
Bento XVI está a ter dificuldades em liberar a Missa em rito tridentino por causa das várias pressões que recebe. Afinal, ao fazê-lo, está a deitar abaixo as novidades do Vaticano II... que pena se o vaticano ii for por água abaixo...
A Missa "Nova" não deve ser "eliminada" de repente. Talvez reformulada. E acho muito bem. Cada padre faz o que quer e é dificil encontrar o rito igual na igreja vizinha. Será que os padres e bispos vão aceitar isto? Haverá uma separação?
Os padres cantam, dançam, os leigos fazem homilias, as crianças vão "ler", as pessoas cumprimentam-se na "paz", para não falar dos "padres" que estão na assembleia a fazer o eco do sacerdote. Fantástico, não é?
Rezemos por Bento XVI.

20 janeiro 2007

a questão da música


«É destes padres que a Igreja precisa. Padres que façam da Missa uma celebração de muitas palmas, muita festa, muita alegria com misturas de danças e teatro.»
A todos os que pensam assim... leiam este documento de 2004 (século XXI), Redemptionis Sacramentum:
«[57.] É um direito da comunidade de fiéis que, sobretudo na celebração dominical, haja uma música sacra adequada e idônea.»
[é o mesmo que dizer: assim como no funeral do pai, não queremos música nem danças, na Santa Missa, Sacrificio do Calvário de novo na Terra, não queremos barulhos e coisas a mais.]
«Os jovens querem missas com música. Sem ela, eles não vão e as igrejas ficam com os velhos»
Ah, então os jovens vão à Missa por Jesus Cristo ou pela música? É a música mais importante que Jesus Cristo? Amam mais a bateria e a guitarra, do que Jesus? Então não são católicos, nem cristãos...
Ou a música barulhenta ou Jesus, na Missa.
«E bater palmas e dançar?»
Isso também foi condenado por João Paulo II na Ecclesia de Eucharistia e na Redemtionis Sacramentum, para não falar dos Concílios Ecuménicos...
«[77] se deve evitar totalmente a celebração da Missa pelo simples desejo de ostentação ou celebrá-la de acordo com o estilo de outras cerimónias, especialmente profanas, para que a Eucaristia não se esvazie de seu significado autêntico»

Penso que se percebe perfeitamente isto. Os Apóstolos também não dançaram na Última Ceia, nem frente à cruz...
Quem apoiar as palmas, danças, teatros e tantas outras profanações não é católico. É protestante, como Lutero.
Temos de obedecer ao Santo Padre, sucessor de Pedro, bem como à Santa Igreja.

Símbolo de Maria

São Gabriel da Virgem das Dores trazia ao pescoço, como um precioso tesouro, uma espécie de hino que ele mesmo tinha composto, ao qual chamava Símbolo de Maria.
Gabriel recitava-o diariamente e trazia-o sobre o coração, como se quisesse, com cada uma das suas palpitações, fazer novos protestos de fé e confiança nas grandezas e protecção de Maria.
Eis as palavras do Símbolo de Maria, na íntegra:

Símbolo de Maria
Creio, ó Maria, que sois a Mãe de todos os homens, os quais recebestes por filhos na pessoa de São João, conforme ao desejo manifestado por Jesus.
Creio que sois nossa vida, e, unindo-me a Santo Agostinho, vos proclamo única esperança dos pecadores, depois de Deus.
Creio que Vós sois o amparo e alento vivificante de todos os cristãos e seu refúgio na hora da morte, por que de Vós recebemos o dom inestimável da perseverança. Se eu Vos seguir, nunca me extraviarei; se rogais por mim, jamais desesperarei; andando em vossa companhia, nunca me cansarei; sendo-me propícia, chegarei com certeza à pátria bem-aventurada.
Creio que estendeis o manto da vossa protecção sobre todos quantos Vos invocam e que os anjos primam em proteger os vossos devotos contra os ataques do inferno.
Creio que ides ao encontro de quem Vos procura e que, sem ser rogada, dispensais inúmeras vezes a vossa protecção.
Creio que ao demónios fogem aterrados ouvindo o vosso nome, como Vós mesma revelastes a Santa Brígida. Uno a minha voz às de São Jerónimo, Epifânio, António e outros, para confessar que o vosso nome veio do céu e vos foi imposto por ordem do próprio Deus. Confesso que sinto a mesma doçura a proferir o vosso nome, que São Bernardo experimentava ao repetir o nome de Jesus: é melodia nos ouvidos, mel no paladar, júbilo no coração.
Creio que não há outro nome, fora o de Jesus, tão transbordante de graça, esperança e suavidade; que esse nome bendito não pode pronunciar-se sem obter algum fruto espiritual. Tenho como certo que não há no mundo alma tão afastada de Deus, que se não veja livre da escravidão do demónio se invoca o vosso santo nome.
Creio que a vossa intercessão é moralmente necessária para salvar-nos; que todas as graças concedidas aos homens vem passando por Vós; e que ninguém pode entrar no céu, sem entrar por Vós que sois a porta que ali dá entrada.
Creio que sois a nossa Corredentora. Creio que quantos não se acolhem a Vós, como à arca de salvação, perecerão no mar tempestuoso deste mundo. Creio que a nossa salvação está nas vossas mãos, e pretender conseguir algo, prescindindo de Vós, é como querer voar sem ter asas.
Creio que um só dos vossos suspiros vale mais que todas as súplicas de todos os santos todos, e que, quando vós rogais, todos os moradores do céu rogam convosco.
Creio que sois advogada tão piedosa, que não duvidais em defender a causa dos mais desgraçados e desesperados. Creio que sois a medianeira entre Deus e os pecadores e que Deus Vos criou para que fosseis um poderoso íman com que atrair os homens, e sobre tudo os pecadores, arrastando-os com força irresistível para Ele.
Creio que sois toda olhos e coração para ver as nossas necessidades, compadecer-nos e socorrer-nos.
Creio que quantos em Vós se apoiam não cairão no pecado, e quantos Vos honram alcançarão a vida eterna.
Creio que sois o celestial piloto que levais os Vossos devotos ao porto seguro da glória, na barquinha da vossa protecção.
Creio que a vossa devoção é sinal certo de salvação eterna, e quem vos professa verdadeiro amor pode estar tão seguro de ir para o céu, como se já estivesse nele.
Creio que a dignidade de Mãe de Deus é infinita em seu género, e que criatura alguma poderá jamais estar mais elevada do que Vós. Creio com São Bernardo que nem o próprio Deus seria capaz de criar outra criatura mais perfeita do que Vós.
Creio que Deus vos enriqueceu e cumulou com todas as graças, dons e privilégios, gerais ou particulares, que concedeu a todas as outras criaturas juntas. Creio que a vossa incomparável beleza excede à de todos os homens e anjos.
Creio que fostes virgem antes do parto, no parto e depois do parto; que fostes a primeira em oferecer espontaneamente a Deus a vossa virgindade, dando exemplo a todas as virgens que Vos imitaram pelos séculos fora, e que Vós, à frente de todas, levais o estandarte desta virtude.
Creio que por Vós, o vosso castíssimo esposo São José se conservou sempre virgem, e que estáveis resolvida a renunciar à sublime dignidade de Mãe de Deus, antes que perder a vossa virgindade.
Creio que, embora cumulada com todas as graças, fostes tão humilde que Vos não preferíeis a ninguém, considerando-vos a mais vil de todas as criaturas e indigna da graça de Deus. Creio que merecestes a graça de ser escolhida para Mãe de Deus, por ter confessado e declarado, com sincera convicção, que nada tínheis, nada éreis e nada merecíeis por Vós mesma.
Creio que a chama do amor divino que Vos consumia era tão intensa que, em sua comparação, a dos serafins era uma fresca brisa.
Creio que só Vós cumpristes perfeitamente o preceito do amor de Deus. Creio que desde o primeiro instante da vossa Conceição Imaculada excedestes em amor a todos os homens e os anjos e que até os mesmos serafins poderiam então aprender de Vós a maneira de amar ao Criador.
Creio que amastes tanto ao próximo que ninguém Vos igualou nem igualará jamais. Creio que reunindo todo o amor das mães pelos seus filhos, dos esposos pelas suas esposas, e dos santos e anjos para com os seus devotos, não se pode comparar com o amor que Vós tendes por uma só alma. Creio que o amor que todas as mães do mundo, não é mais do que uma sombra ao lado do que Vós tendes por cada um de nós.
Creio que a compaixão que sentis para com os desgraçados excede agora no céu à que deles tínheis quando vivíeis na terra, tanto como excede o sol à lua em claridade e resplendor.
Creio que, assim como os planetas não podem ser iluminados senão pelo sol, assim também nós não podemos ser iluminados pelos raios da divina misericórdia, senão por mediação vossa.
Creio com São Boaventura que Vos ofendem não só os que Vos ultrajam, mas também os que Vos não invocam.
Creio que os vossos devotos não podem condenar-se por mais pecadores que tenham sido. Creio que quem Vos não ame morrerá em pecado, e quem Vos não invoque durante a vida não entrará no céu.
Creio, finalmente, que a vossa devoção é passaporte para a glória.

Acerca de São Gabriel de Nossa Senhora das Dores, recomendo uma visita a este
site.